Riscos

 

Como sabe, nem tudo na vida é perfeito. O mesmo se aplica à Bitcoin. É uma enorme oportunidade? Sem dúvida. É uma tecnologia que pode revolucionar muitas áreas da nossa vida? Igualmente. Com tudo isto, também tem risco? Claro que sim.

Este é um aviso importantíssimo: não espere que a Bitcoin não tenha riscos. Como todas as novas tecnologias e empresas no seu início, existiram sempre muitos obstáculos e dúvidas que as mesmas tiveram de superar para vencer. Algumas conseguiram, outras não.

Recordamos que o mesmo pode suceder à Bitcoin – poderá chegar a uma altura em que, infelizmente, já não consegue ultrapassar mais obstáculos, e falhar. Se vai investir psicologicamente ou fisicamente nesta tecnologia, este é um conceito que deve estar no âmago de todas as suas decisões.

Por isso, este é o artigo que recomendamos que leia SEMPRE e entenda antes de começar. Recordamos: nunca invista mais do que aquilo que tem, e compreenda as vantagens e desvantagens desta tecnologia.

Com isto fora do caminho, dividimos este artigos em riscos ‘falsos’ e riscos ‘verdadeiros’. Os riscos ‘falsos’ representam riscos que aparentam sê-lo, mas que na realidade só são considerados riscos devido a uma má compreensão e interpretação das habilidades da tecnologia. Os riscos ‘verdadeiros’ são verdadeiros e reais obstáculos que a tecnologia terá de vencer para poder continuar.

Os riscos Falsos

1. Volatilidade

Quando o mercado amadurecer, finalmente a volatilidade desaparecerá, como sempre sucedeu com qualquer valor transaccionado pelo ser humano.

A volatilidade de preço da Bitcoin é uma consequência de ser uma moeda novíssima. Nos primeiros anos da sua existência, a Bitcoin funcionou como aquilo que os Norte-Americanos denominam de ‘penny-stocks’, ou seja, títulos financeiros altamente especulativos.

Assim, qualquer comprador de peso, que possuísse vários milhões na sua conta – como os irmãos Winklevoss, os mesmos que se envolveram no Facebook – poderia causar uma enorme alteração no preço.

Conforme a adopção e a liquidez vão aumentando, também a volatilidade da Bitcoin vai decrescendo proporcionalmente. Quando a Bitcoin atingir a capitalização de mercado do ouro, apresentará um nível de volatilidade semelhante ao ouro. Quando ultrapassar a capitalização do ouro, a volatilidade será tão pequena que se equipará às moedas atuais, como o Dólar ou o Euro, sendo então um método eficaz de troca.

Para ter noção da proporção, a Bitcoin, neste momento, tem uma capitalização de mercado total de 150.000.000.000$; mas o Dólar dos Estados Unidos impresso tem uma capitalização total 25 vezes superior à Bitcoin (3.8 triliões de Dólares). O ouro tem uma capitalização total de 7.07 triliões de Dólares, ou seja, 47 vezes superior à Bitcoin. O S&P 500, uma coleção das 500 empresas mais valiosas do mundo, estão com 22 triliões, ou seja, 146 vezes mais que a Bitcoin. Por isso, ainda se tem um longo caminho em frente.

2. Bolha

As altas valorizações podem indicar que estamos perante uma bolha. Mas ao início, todas as tecnologias novas exibem este tipo de progressão.

A Bitcoin, como todos os bens monetários baseados nas leis do mercado livre, exibe um prémio monetário. Esse prémio monetário é o que leva a que muitos críticos apontem que a Bitcoin seja uma ‘bolha’.

No entanto, todos os bens monetários exibem este prémio monetário – na verdade, está presente em todo o tipo de dinheiro e/ou algo de valor. Por outras palavras, o dinheiro é sempre uma bolha, no sentido em que estará constantemente sobrevalorizado.

3. Competetividade

O surgimento de bastantes projectos interessantes no criptoespaço não indica que a Bitcoin vá ser, inexoravelmente, ultrapassada.

Sendo um protocolo de código aberto, foi sempre possível copiar o software da Bitcoin e imitar a sua rede. Com o passar dos anos, foram criadas muitas imitações, desde criptomoedas semelhantes, como a Litecoin, até variantes complexas como o Ethereum, que promete permitir a constituição de ‘contratos inteligentes’ complexos usando um sistema computacional distribuído.

Uma crítica recorrente da Bitcoin é que não conseguirá manter o seu valor quando os competidores podem ser tão facilmente criados e, inclusivamente, incorporarem as tecnologias mais recentes e novas inovações nas suas redes.

O problema com este argumento é que a unanimidade dos competidores de Bitcoin que foram criados ao longo dos anos não possuem o ‘efeito de rede’ da primeira tecnologia dominante do espaço. Esse ‘efeito de rede’ – o valor aumentado da bitcoin simplesmente porque já é a rede dominante – é um ponto de venda em si mesmo. Discutivelmente, o ‘efeito de rede’ é a característica mais importante de qualquer nova tecnologia.

Existem muitos motivos pelos quais este ‘efeito de rede’ é importantíssimo. No sentido prático, os grandes investidores, incluindo governos e nações, procurarão o mercado mais líquido, de forma a conseguirem entrar e sair sem grandes oscilações de preço. Os programadores irão para a comunidade de desenvolvimento dominante, pois é já aí que se encontra o maior talento, reforçando assim a força dessa comunidade.

Além disso, o efeito da marca é importante. É impossível falar em qualquer competidor da Bitcoin sem referir a Bitcoin primeiro – pois foi a primeira, foi a que tudo começou.

Os riscos verdadeiros

1. Risco de Erro ou Falha no Protocolo

Se alguma vez se verificar que a Bitcoin não tem um protocolo inviolável, o seu valor poderá ser irremediavelmente diminuído.

O protocolo da Bitcoin e as premissas criptográficas nas quais foi idealizada podem possuir uma falha na sua arquitectura, ou podem ser eventualmente inseguras com o desenvolvimento dos computadores quânticos, que possuem uma incrível capacidade de processamento.

Se for detectada uma falha no protocolo, ou alguma nova forma de computação fizer que com seja possível quebrar os sistemas de segurança do sistema Bitcoin, a fé na criptomoeda poderá estar severamente comprometida.

Este risco era maior nos primeiros anos do desenvolvimento da Bitcoin, pois na altura, ainda não se sabia se o fundador da criptomoeda tinha resolvido, finalmente e após tantos séculos, o grande problema de se criar algo descentralizado – algo que se regule a si próprio com justiça.

Com o passar dos anos, essas preocupações foram gradualmente desaparecendo, e apesar do risco ser mínimo, ainda é algo a ter em conta, dada a sua natureza tecnológica.

2. Encerramento de Bolsas Digitais

As bolsas digitais têm uma preponderância enorme na livre troca de criptomoedas e, portanto, no seu valor.

Sendo descentralizada, a Bitcoin mostrou um incrível nível de resiliência contra as numerosas tentativas de vários governos regulamentarem a criptomoeda ou até mesmo encerrá-la. No entanto, e paradoxalmente, as bolsas digitais nas quais as Bitcoins são compradas com dinheiro comum (como o Binance ou o Coinbase) são altamente centralizadas e, portanto, susceptíveis a encerramentos e legislação.

Sem estas bolsas digitais e a vontade do sector bancário em se envolver e cooperar com estas entidades, o processo de monetização da Bitcoin será severamente diminuído, se não mesmo impedido de todo.

Apesar de existirem vias alternativas para se adquirir Bitcoin, como os corretores de balcão (que efetuam trocas diretas, em pessoa, de altas somas de dinheiro em Bitcoin, como o Bitfinex), e bolsas descentralizadas (bolsas sem envolvimento humano, como o Waves ou o Stellar, sendo que o Binance está no processo de passar a ser descentralizado também), o processo crítico de descoberta de preço de uma Bitcoin acontece no meio das bolsas mais líquidas do mundo – e todas elas, de momento, são centralizadas.

A legislação também tem um papel importante. O Binance, indiscutivelmente a maior bolsa do mundo de momento, começou as suas operações na China, mas rapidamente mudou a sua sede para o Japão, pois o governo Chinês impediu as suas operações na China. No entanto, o inverso também se sucede – alguns governos nacionais sabem que estão na presença de uma indústria que pode ter um impacto global tão ou mais forte do que a Internet, procurando, assim, atrair estas empresas pioneiras no campo para o seu país, de forma a terem uma vantagem competitiva.

Apenas com um encerramento global coordenado das bolsas de Bitcoin e criptomoedas, um feito quase impossível, seria possível impedir a monetização da bitcoin. Por outras palavras, a Bitcoin já é grande demais para ser encerrada – se algum governo quisesse encerrar a Bitcoin, neste momento, teria que encerrar, literalmente a Internet, um feito politicamente impossível.

No entanto, e no nome da transparência, acreditamos que qualquer investidor deve saber que a possibilidade destas bolsas encerrarem é real, apesar de ser minusculamente pequena.

Nunca se deve menosprezar a ideia de que os governos estão, gradualmente, a adoptar a ideia de que uma moeda digital ameaça o seu controlo total sobre as políticas monetárias. Permanece uma questão aberta sobre se os governos irão atuar antes que seja muito tarde (e, discutivelmente, já é).

3. Fungibilidade: Capacidade de Troca

Fungibilidade é a capacidade que algo tem de ser trocado. Sem troca, uma moeda morre.

A natureza aberta e transparente da ‘blockchain’ da Bitcoin faz com que seja possível a vários estados e/ou entidades governamentais ‘marcarem’ certas Bitcoins como tendo sido usadas em actividades ilícitas. Apesar da resistência à censura centrada ao nível protocolar permitir sempre que essas Bitcoins circulem, se os legisladores decidirem proclamar leis que proíbam o uso dessas Bitcoins marcadas pela parte de bolsas digitais ou agentes comerciais, isso poderia fazer com que essas moedas se tornassem sem valor. A Bitcoin perderia uma das propriedades críticas de um bem monetário: a capacidade de troca livre, ou seja, fungibilidade.

Para aperfeiçoar a fungibilidade da Bitcoin, terão de ser introduzidas melhorias a nível do protocolo, de forma a melhorar a privacidade das transações. Apesar de existirem novos desenvolvimentos nesta área, estreados em moedas digitais como o Monero e ZCash, existem compensações significativas tecnolóficas a serem efectuadas entre o equilívrio entre a eficiência e complxiidade da Bitcoin e a sua privacidade. Continua uma questão por responder sobre se as funcionalidade que melhorariam a privacidade da rede Bitcoin iriam comprometer a sua utilidade como moeda de troca em outras formas.

RESUMO

Registo Global

As pessoas transferem dinheiro enviando mensagens aos Mineiros sobre quem envia, quem recebe, e a quantia necessária.

Transferência de Dinheiro

As pessoas transferem dinheiro enviando mensagens aos Mineiros sobre quem envia, quem recebe, e a quantia necessária.

Verificação

Os Mineiros verificam a assinatura única da pessoa e, por último, os Mineiros chegam a consenso entre eles mesmos a nível global através de um processo de votação justo e matemático.

Transação Confirmada

A transação é autorizada e enviada, sendo virtualmente impossível violá-la.

Pronto para saber mais?

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