Mitos

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Primeiro ignoram-te. Depois riem-se de ti. Depois lutam-te. E, no final, vences. A Bitcoin existe há cerca de 10 anos e, neste momento, as criptomoedas encontram-se na fase de “luta”. Isto é compreensível e, de certa forma, esperado. Todos os intermediários ‘confiáveis’ têm algo a perder. E, com eles, surgem mitos que procuram desinformar a população em relação a esta criptomoeda.

Verifiquemos, então, os 6 mitos mais vezes repetidos pelas pessoas que pretendem dissuadi-lo de investir nesta tecnologia. A tecnologia não é perfeita, é certo (e veremos isso mais à frente, na secção de riscos), mas isso não indica que existam actores que apenas pretendem perpetrar uma ideia errada da criptomoeda.

Aqui no ABC da Bitcoin, o nosso objetivo é informar. Claro, estamos investidos nesta tecnologia, mas antes de o termos feito, fizermos a nossa pesquisa. Estamos aqui para lhe mostrar todas as conclusões a que chegámos – e o que é verdadeiro, e não é. Cuidado com as aparências!

Mito nº1: A Bitcoin é só usada por criminosos.

Os agentes que verificam todas as transações na rede, e garantem a segurança de tudo e de todos, chamam-se Mineiros. Chamam-se assim porque, tal como um prospector mina depósitos de rocha para procurar pedras preciosas, um Mineiro de Bitcoin verifica as transações a troco de ouro digital – Bitcoins.

Podemos dividir a resposta em vários pontos. Primeiro que tudo, falemos da transparência. Existe a ideia de que a Bitcoin é ‘anónima’ e, por isso, fácil de ocultar. Muito pelo contrário – a Bitcoin é uma rede pseudónima. A Blockchain da Bitcoin é um registo central totalmente transparente de código aberto, em que todas as operações que alguma vez foram feitas desde a sua criação, há cerca de 10 anos atrás, estão registadas.

Compare isto com, por exemplo, uma nota de 100€. Desde que foi criada pelo Banco Central Europeu, ninguém tem ideia por entre quantas mãos essa nota passou – se criminosas ou não.

Um estudo de Harvard sublinha a preponderância de notas de maior denominação (como 100, 200 e 500 euros) no uso de associações criminosas para lavagem de dinheiro.

Com a Bitcoin, todos os movimentos são acompanhados desde o início e disponíveis para serem vistos, com total transparência, no grande registo mundial conhecido como Blockchain, onde pode verificar todas as transações que alguma vez foram feitas na rede.

No seu relatório anual sobre lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo, o Departamento do Tesouro do Reino Unido afirma que a Bitcoin baixa significativamente o risco de lavagem de dinheiro quando comparado com o dinheiro tradicional.

Efetivamente, nesse mesmo relatório, comparam-se diretamente os riscos das criptomoedas, dinheiro vivo e bancos serem usados como ferramentas criminosas (como lavagem de dinheiro e outros actos ilícitos).

Como pode observar:

  1. O risco geral de usar criptomoedas para lavar dinheiro é apenas 11 na escala usada pelo Departamento do Tesouro.
  2. O risco geral de usar dinheiro vivo para lavar dinheiro é já 88 na escala usada pelo Departamento do Tesouro. Portanto, é 8 vezes mais vulnerável e mais utilizado por criminosos para atividades ilícitas.
  3. O risco geral de usar as estruturas dos bancos para lavar dinheiro é 158 na escala usada pelo Departamento do Tesouro, o seu máximo. Portanto, é 14 vezes mais vulnerável e mais utilizado por criminosos para atividades ilícitas.

Deixamos as conclusões para si.

Mito nº2: A Bitcoin consome quantidades exorbitantes de eletricidade.

Os agentes que verificam todas as transações na rede, e garantem a segurança de tudo e de todos, chamam-se Mineiros. Chamam-se assim porque, tal como um prospector mina depósitos de rocha para procurar pedras preciosas, um Mineiro de Bitcoin verifica as transações a troco de ouro digital – Bitcoins.

 

Se considerar toda a energia consumida pelos serviços da ‘velha guarda’ das Finanças e do Governo, como por exemplo notários e serviços de registo, é fácil de entender que a Bitcoin é muito mais eficiente do que os sistemas que se propõe a substituir.

A quantidade de energia gasta todos os anos para extrair do solo cobre, níquel e outros materiais – desde o seu transporte, a transformá-los em moedas, a armazená-los, distribuí-los e garantir sempre a sua segurança – é imensa. A Bitcoin não requer nada disto.

Para lhe dar um exemplo práctico, o simples acto de extrair minerais do solo, a nível global, corresponde a 10% de todo o gasto de energia mundial. Isto não inclui a energia consumida no processamento e refinamento dos minerais, o seu transportes e custos indirectos, tais como a manufactura de equipamento especializado para a extração desses minerais – e estima-se que, com isto tido em conta, o custo energético passa para 20%. A nível mundial, gastamos 12500 Mtoe; portanto, 3125 são alocados à extração de minerais.

Com notícias de que a Bitcoin consome o mesmo que a Irlanda, e sabendo que o consumo em 2016 na Irlanda foi de 14.4 Mtoe (Autoridade de Energia Sustentável da Irlanda), isso significa que a Bitcoin consome, a nível mundial, 0,001152% de toda a energia que existe. Comparando com com a extração de minerais, isso significa que a Bitcoin consome apenas 0,001152% para manter a sua rede global, enquanto que a indústria mineira consome 10% de todo o gasto mundial.

Assim, afirmar que o grande problema da Bitcoin é o consumo de eletricidade está totalmente errado. Pode ter outras falhas, sim, mas isso não quer dizer que a electricidade seja uma delas.

A Bitcoin, com o registo global, irá gradualmente sobrepor-se aos serviços de registo normais e, com isso, a energia ineficiente que os acompanha.

Mito nº3: Adoro a Blockchain, mas odeio a Bitcoin.

Os agentes que verificam todas as transações na rede, e garantem a segurança de tudo e de todos, chamam-se Mineiros. Chamam-se assim porque, tal como um prospector mina depósitos de rocha para procurar pedras preciosas, um Mineiro de Bitcoin verifica as transações a troco de ouro digital – Bitcoins.

 

Este mito não precisa de muito para ser argumentado – pois é o mesmo que afirmar que alguém gosta do E-mail, mas odeia a Internet. Sem Internet, é impossível existir E-mail, como é óbvio.

A Bitcoin introduziu o conceito da Blockchain aplicada como a conhecemos atualmente, e é uma das aplicações fundamentais deste tipo de tecnologia. É o protocolo que faz com a Blockchain seja segura e eficiente. Sem a Bitcoin, as Blockchains são apenas bases de dados… algo que já possuímos.

No entanto, grandes bancos mundiais continuam a perpetuar a ideia de que a Blockchain é boa, mas a Bitcoin é terrível. Sendo código aberto, o princípio geral da Bitcoin e o seu uso da Blockchain pode ser usado para projectos que não de transações monetárias. A título de exemplo, a VeChain procura utilizar a imutabilidade e segurança da Bitcoin em aplicações para garantir que todos os produtos que usa são autênticos, procurando travar o mercado da contrafacção, uma praga a nível mundial. O Ethereum procura ser uma rampa de lançamento para outras plataformas, criando um ambiente mais ‘amigável’ para os programadores que queiram aproveitar as vantagens do sistema criado pela Bitcoin – algo parecido como um Windows, que pode ser usado como ponto de partida para criar outras soluções.

No entanto, todos esses projetos têm uma coisa em comum – partem do código e princípios gerais da Bitcoin, sempre. Pegando no exemplo do e-mail, o Gmail, o Outlook e a Yahoo desenvolveram esta forma de comunicação – cada uma à sua maneira. Criaram soluções específicas para empresas, melhoraram a tecnologia, e aprimoraram conceitos – evoluíram. No entanto, não se pode cortar o princípio geral: o protocolo que permite o uso do e-mail tem de ser sempre usado, e é indissociável da tecnologia.

Mito nº4: A Bitcoin não consegue processar grandes quantidades de transações por minuto.

Os agentes que verificam todas as transações na rede, e garantem a segurança de tudo e de todos, chamam-se Mineiros. Chamam-se assim porque, tal como um prospector mina depósitos de rocha para procurar pedras preciosas, um Mineiro de Bitcoin verifica as transações a troco de ouro digital – Bitcoins.

 

A Bitcoin ainda se encontra nas etapas mais precoces da sua evolução. Para fazer um paralelismo, é como voltarmos aos primórdios da Internet. Lembra-se quando nos ligávamos por linha telefónica à Internet, através de um CD colocado no computador, e chegávamos a velocidades de 10 KB por segundo? Atualmente, não só temos Internet em todo o lado, desde a caminho do emprego a noutro país, como temos Internet sem fios. Além disso, as velocidades passaram de 10 KB por segundo para, aproximadamente, numa Internet média, 24414 KB por segundo.

A Bitcoin, tal como a Internet, fará um percurso semelhante. Neste momento, temos dezenas de termos técnicos elegantes que indicam promissoras evoluções tecnológicas para o futuro, como a implementação do Segwit, as Assinaturas Schnorr, Cadeias Paralelas, e a Rede Lightning.

Todos estes protocolos irão facilitar a evolução e expansão da rede Bitcoin nos próximos anos. Por exemplo, a rede Lightning consegue processar até 100.000 transações por segundo, o que é muito mais do que o monstro do processamento de pagamentos, a Visa, consegue fazer.

Por isso, coloque as coisas em perspectiva. Isto ainda é o início.

Mito nº5: A Bitcoin é uma solução à procura de um problema.

Os agentes que verificam todas as transações na rede, e garantem a segurança de tudo e de todos, chamam-se Mineiros. Chamam-se assim porque, tal como um prospector mina depósitos de rocha para procurar pedras preciosas, um Mineiro de Bitcoin verifica as transações a troco de ouro digital – Bitcoins.

 

É difícil para alguém num país desenvolvido entender a verdadeira utilidade da Bitcoin. Na verdade, os sistemas de pagamento funcionam relativamente bem na maioria destes países. No entanto, a confiança global da população mundial no sistema financeiro está em baixos históricos.

A confiança no sistema empresarial, a nível global, está apenas a 52%, ou seja, apenas 52% das pessoas acreditam que as empresas irão fazer o que ‘está certo’. A nível governamental, este valor baixa para 41%. Exatamente 3/4 dos países do mundo não têm Governos confiáveis, segundo o relatório Edelman.

Por último, apenas 15% da população mundial acredita que o ‘sistema funciona’. Isto não é um problema de proporções gigantes – a falta de crença e fé em sistemas que deveriam ser ‘confiáveis’. A Bitcoin responde directamente a este problema, graças ao seu protocolo Blockchain.

Além disto, existe um problema adormecido que ninguém fala – a falta de acesso a serviços bancários nos países em desenvolvimento. A nível global, 1.000.000.000 de adultos vive num país com uma inflação de duplos dígitos ou próximo disso, e 2.000.000.000 não têm acesso a uma simples conta bancária. A Bitcoin é uma porta de entrada incrível e fácil para todas estas pessoas.

Por último, esta porção gigantesca da população mundial, pelos baixos rendimentos, pode querer, na esmagadora maioria das vezes, transacionar em segurança quantias que podem estar abaixo de 1€. Para os bancos normais destes países, simplesmente não compensa para eles prestar este serviço. A Bitcoin, com a implementação do sistema Lightning, irá dar uma forma destas pessoas conseguirem fazer transações seguras, instantâneas e a um custo baixíssimo, abrindo um mercado inexplorado até aqui.

Mito nº6: A Bitcoin vai ser encerrada pelos Governos.

Os agentes que verificam todas as transações na rede, e garantem a segurança de tudo e de todos, chamam-se Mineiros. Chamam-se assim porque, tal como um prospector mina depósitos de rocha para procurar pedras preciosas, um Mineiro de Bitcoin verifica as transações a troco de ouro digital – Bitcoins.

A Bitcoin é um movimento de código aberto. E, talvez, os riscos da Bitcoin ser encerrada nalguns países, como a Coreia do Norte ou outros países totalitários, possa realmente existir. No entanto, existe um problema – a Internet teria de ser desligada para isso acontecer.

Em países desenvolvidos como o Japão, a Europa, os Estados Unidos e outros, o risco é mínimo. Neste momento, a maior barreira ao progresso é a ignorância e a desinformação. Isto faz com que surja um enorme desafio, mas igualmente uma tremenda oportunidade da comunidade em educar os nossos legisladores para as vantagens que as criptomoedas trazem – para todos.

Historicamente, a Bitcoin foi sempre defrontada com ceticismo e desdém (à altura de escrita, já foi declarada ‘morta’ quase 300 vezes). Desde a invenção da eletricidade, dos carros, portáteis e smartphones – a recepção inicial a mudarmos os nossos hábitos nunca é calorosa. Eventualmente, graças aos seus méritos próprios, essas inovações passaram a ser comuns – ferramentas essenciais para os nossos dias rotineiros.

Um dia, acreditamos que a Bitcoin irá preencher esse papel. E, tal como existem ainda velas e cavalos, existirão ainda notários e bancos – mas o seu papel na sociedade irá evoluir, e será transformado pela tecnologia de código aberto do futuro – a Bitcoin.

RESUMO

Registo Global

As pessoas transferem dinheiro enviando mensagens aos Mineiros sobre quem envia, quem recebe, e a quantia necessária.

Transferência de Dinheiro

As pessoas transferem dinheiro enviando mensagens aos Mineiros sobre quem envia, quem recebe, e a quantia necessária.

Verificação

Os Mineiros verificam a assinatura única da pessoa e, por último, os Mineiros chegam a consenso entre eles mesmos a nível global através de um processo de votação justo e matemático.

Transação Confirmada

A transação é autorizada e enviada, sendo virtualmente impossível violá-la.

Nem tudo é bom. Quer sabes os riscos?

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